A Marcha dos Pingüins

Filme - A Marcha dos Pinguins
A Marcha dos Pingüins (Downtown Filmes)

CRÍTICA – A MARCHA DOS PINGÜINS.
Belas paisagens e a determinação em perpetuar a espécie marcam documentário francês.

O famoso documentário francês “A Marcha dos pingüins”, de Luc Jacquet, é o segundo mais assistido da história do cinema, fica atrás apenas do polêmico “Fahrenheit 11 de Setembro”, do anti-Bush Michael Moore. O filme fez sucesso até mesmo nos Estados Unidos, onde filmes estrangeiros não costumam ter muita aceitação. Todo esse sucesso chama a atenção para um projeto de beleza estética incontestável, mas características narrativas controversas.

Uma dessas características chama a atenção logo na primeira cena, assim que o narrador fala a primeira palavra como se fosse um dos pingüins a espera da “turma”. Ao antropomorfizar os animais e inserir diálogos entre eles, o diretor optou por uma arriscada tentativa de atrair o público. Goste ou não, é isso que o torna diferente de um simples documentário. Se alguém reprovar a película, com certeza será este o motivo já que a parte técnica é impecável.

Contando com o auxílio de dois diretores de fotografia e a beleza natural da longínqua Antártida, o cineasta francês fez um trabalho magnífico. Filmou em condições adversas, com temperaturas que chegavam a 40 graus negativos, e mesmo assim retratou detalhadamente todo o ciclo reprodutivo do pingüim imperador. Confesso que fiquei um pouco incomodado com os diálogos entre pingüins, mas a beleza das imagens faz com que esse incômodo seja relevado.

A outra característica controversa é a romantização das atitudes dos pingüins. Vê-los chorar por amor aos filhotes ou preocupados com a parceira é absurdo demais. Irracional por natureza, o que guia estes animais são instintos totalmente diferentes dos humanos e, quando vemos a pingüim fêmea lamentar a rachadura do ovo pois ficou mais tempo sob o gelo do que poderia, não podemos aceitar palavras lamentando o ocorrido como se o animal fosse uma mãe que perdeu um filho. Naquele momento, a ave expressava o fracasso de não conseguir dar continuidade a um ciclo que é instintivo, e não por amor como faz entender o diretor.

Essa contradição pode ser comprovada ao final do filme. Os pingüins que acabaram de nascer são praticamente abandonados pelos mais velhos que voltam ao mar e passam as responsabilidades aos mais novos. Alguns jamais conseguirão sobreviver às adversidades da nova vida, outros realizarão a mesma epopéia que acabamos de acompanhar no próximo ano. Essa é a prova de que tudo não passa de instintos, de uma obrigação natural, distante de sentimentos fraternais como o diretor faz questão de mostrar. É difícil aceitar a humanização das atitudes dos animais quando os mesmos pingüins que choram por amor aos filhotes num primeiro momento os abandonam em seguida. Um vacilo do diretor que tentou transformar o documentário em um filme “Disney”.

Mas isso não atrapalha o resultado. A determinação em perpetuar a espécie é o tema central do filme e o diretor conduz o espectador a admirar cada vez mais os pingüins, animais de comportamento desconhecido da maioria da população mundial. Esse desconhecimento jogou a favor do francês que contou com a curiosidade do público em relação a espécie para garantir o sucesso. As belas paisagens do continente gelado contribuem para um espetáculo que excursiona o espectador ao fim do mundo de maneira encantadora. Livre-se do preconceito, supere as frases engraçadinhas e não perca essa viagem visual.

Direção: Luc Jacquet
Ano: 2004 – França
Duração: 85 min.
Livre

Filme:

Ótimo:
Bom:
Regular:

Crítico: Wilson Gotardello – Jornalista – gotardello@yahoo.com.br

Mais informações, acesse: http://www.cranik.com

Published in: on 7, abril 2008 at 7:17 pm  Deixe um comentário  

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